Bem-vindas e bem-vindos!!!

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A Ginástica Para Todos (ou Ginástica Geral) é uma modalidade que permite a participação de TODAS as pessoas, independente de idade, gênero, classe social ou condições técnicas. Por meio de seus valores e regras flexíveis, ela permite a valorização do trabalho em grupo ao mesmo tempo em que valoriza a individualidade de cada pessoa que a pratica.

Através deste blog, espero poder dividir o meu conhecimento e a minha experiência em Ginástica Para Todos e contribuir para a sua difusão para que um dia ela possa ser desenvolvida no Brasil com a mesma qualidade com que é desenvolvida em outros países.
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Obs.: o Blog se chamava "Ginástica Geral", mas devido a mudança de nomenclatura da modalidade pela FIG (Federação Internacional de Ginástica), o nome adotado para o Blog também mudou para "Ginástica Para Todos".


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A Ginástica Acrobática na Ginástica Geral


                  Olá, pessoal. Bem-vindos a mais uma postagem do Blog Ginástica Geral (Blog GG)!! E a postagem de hoje dá sequência à série "Conhecendo as Ginásticas Competitivas", textos que têm como objetivo apresentar um pouco das ginásticas que compõem a GG, mostrando ainda como estas podem ser inseridas em um trabalho específico da modalidade. E após conhecermos a Ginástica Acrobática (GACRO) em abril, hoje é dia de refletirmos sobre como essa ginástica competitiva pode ser utilizada em um trabalho de GG. Então vamos lá!!

             Como vimos, a GACRO é aquela ginástica das "pirâmides humanas" em que os atletas devem formar figuras utilizando elementos estáticos, dinâmicos ou ambos em uma série. Vimos também que essa ginástica exige bastante confiança e cooperação, e que possui técnicas que garantem a segurança de seus atletas em meio à complexidade das figuras.

                   Com base nisso, a GACRO pode ser considerada um ótimo meio facilitador para a prática da GG. Isso porque, por tratar-se de uma modalidade que exige o trabalho em equipe, ela vem de encontro à proposta de socialização que a GG possui. Além disso, se olharmos para a GACRO fora da esfera competitiva e de alto rendimento, essa modalidade por si só pode ser bastante lúdica. Afinal, imagine o desafio de reunir seus colegas, subir um em cima do outro até surgir uma pirâmide humana?? Não tem como não ser lúdico...

Vai dizer que você e seus amigos nunca tentaram fazer isso?!

              Mas claro que, mesmo numa proposta voltada para o lazer e não para competição, as técnicas específicas utilizadas na GACRO também devem ser utilizadas, pensando, principalmente, no quesito segurança. Dessa forma, as "pegadas" das figuras acrobáticas, que são as formas de sustentação para a formação das mesmas, devem ser consideradas tanto em figuras simples quanto em figuras mais complexas. Ou seja, existem formas corretas de sustentar ou se apoiar no colega pra evitar lesões e garantir a formação eficiente da pirâmide. E em GG isso também é essencial!

                    Levando em conta também as características dos praticantes, como o biotipo, é possível que todos participem das figuras acrobáticas, sendo que cada integrante deve se sentir à vontade para poder atuar como base, intermediário ou volante numa figura, de preferência sem uma imposição do professor ou técnico. Isso garante não apenas um autoconhecimento por parte de cada praticante, mas implica também no respeito às qualidades e limites do outro, dentro de um grupo.

                   Mas, resumindo, tanto uma pessoa mais forte ou mesmo obesa, quanto uma pessoa mais leve ou magra podem participar de uma figura acrobática em GG, pois GG é para todos!!

Grupo japonês na XIV Gymnaestrada Mundial
em Lausanne (Suíça) - 2011
              Além do caráter lúdico, as figuras acrobáticas podem ser utilizadas para expressar uma ideia ou imagem dentro de uma criação coreográfica de GG, ou seja, no produto final da modalidade. Para isso, é bem-vinda a criatividade e a flexibilidade que é valorizada na GG para unir a técnica da GACRO com a liberdade de expressão corporal prevista na GG. Na imagem ao lado, por exemplo, os atletas utilizam uma figura de baixa complexidade, mas com muito efeito, para simbolizar algo que lembra uma centopeia.

           Como a GG apresenta regras flexíveis, ela se diferencia das ginásticas competitivas justamente pela sua liberdade de expressão corporal, como já citei. Um exemplo disso é que, diferentemente da GACRO, na GG não existe limite de integrantes em uma mesma figura, nem mesmo uma regra específica no que se refere a gênero ou faixa etária. O que vale na GG é a criação e a arte. Sendo assim, na GG é possível criar figuras acrobáticas variadas, bem diferentes das figuras mais tradicionais que vemos na GACRO, previstas em regulamentos dessa modalidade. E é possível verificar um pouco dessa imprevisibilidade da GG nas imagens abaixo:

Grupo da Espanha na XIII Gymnaestrada Mundial em Dornbirn (Áustria) - 2007.
Como é possível ver, não existe um limite de integrantes em uma mesma figura acrobática.

Grupo Acrobático Guarujá na XIII Gymnaestrada Mundial em Dornbirn (Áustria) - 2007.
Formação livre de figuras que representam o contexto coreográfico proposto pelo grupo.

Grupo Independente de Ginásticas - SP.
Enquanto na GACRO tradicional, na categoria dupla mista, o homem sempre faz o papel de base da figura, aqui temos uma inversão, em que a ginasta faz uma ponte para atuar como base para outro atleta. Sem contar que aqui temos um trio misto, categoria que não existe na GACRO.
E quem não conhece a dupla Akróbatus??
Eles que utilizam vários elementos da GACRO (entre outras manifestações), mas de uma forma extremamente criativa e expressiva, ao estilo GG ;)
          
                 E é bom reforçar que na GG não existe competição!! Portanto, não existe pontuação para as figuras acrobáticas, independente do nível de dificuldade das mesmas. Aliás, em muitas vezes, figuras acrobáticas simples e criativas são mais interessantes, dentro de um contexto coreográfico, do que figuras super complexas, mas de pouco efeito visual. Pra ser sincero (mas essa é a minha opinião), uma apresentação com muuuuuitas figuras acrobáticas complexas, em que o grupo perde mais tempo montando e desmontando suas pirâmides do que expressando a sua cultura ou o tema da coreografia em si, acaba se tornando cansativo de assistir. Mas repito, essa é a MINHA opinião...

                E para fechar a postagem de hoje, como gosto de fazer, vou deixá-los com alguns vídeos que mostram bem a diferença da GACRO em um contexto competitivo, em que as figuras acrobáticas são um FIM, de um trabalho de GG que se utiliza de figuras acrobáticas como um MEIO, seja a partir de figuras mais tradicionais e mais características da GACRO em si, ou mais expressivas e criativas como sugere a GG. É mais fácil entender isso que quis dizer assistindo aos vídeos...rs

             O primeiro vídeo é de uma série competitiva de GACRO na categoria trio feminino. É possível perceber que, apesar da coreografia em si ser bem expressiva, com uma intenção artística, o foco da apresentação está nas formações acrobáticas, ou seja, as figuras são um FIM e não um meio, justamente por elas estarem sendo julgadas a partir dessas figuras e dos elementos técnicos como um todo.

 
 Trio feminino da Rússia na Copa do Mundo de GACRO - 2012.


                O segundo vídeo é de uma apresentação de um grupo de GACRO, mas sem fim competitivo, apenas demonstrativo. É aí que vem o conflito....rs. Por mais que o próprio grupo considere a sua apresentação como sendo apresentação de GACRO, a coreografia deles é tão lúdica, dinâmica e criativa, que é possível considerá-la sim uma coreografia de GG. A diferença é que, por conta das características do grupo, as figuras acrobáticas utilizadas pelo mesmo são aquelas mais tradicionais da GACRO (tradicionais em relação às posturas, elementos técnicos, tipos de formações). Mas ainda assim, é possível assistir ao vídeo e identificar várias características referentes aos valores e princípios da GG. Assistam e vejam se concordam comigo:

Apresentação do grupo GCP (Portugal).


                O último vídeo é de uma apresentação tipicamente GGística...rs. Ou seja, nitidamente as figuras acrobáticas aparecem na coreografia como um MEIO e não como um fim. As figuras interagem com a proposta coreográfica no sentido de ajudar na difusão da ideia e do tema da coreografia. Resumindo: "é disso que eu tô falando" ;)

Apresentação de GG com utilização de elementos da GACRO.


             É isso aí, pessoal. Espero que tenham gostado dos vídeos!! Nos vemos na próxima postagem!! Até mais!!

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Essa postagem faz parte da série "Conhecendo as Ginásticas Competitivas". Confira:
E muito mais no Blog GG ;)

Conhecendo a Ginástica Acrobática

                      Olá, pessoal!!

                    Bem-vindos a continuação da série "Conhecendo as Ginásticas Competitivas", um conjunto de textos para apresentar as ginásticas que fazem parte da Ginástica Geral (GG). E é sempre bom reforçar que a GG é composta por inúmeras manifestações, além das manifestações gímnicas. Portanto, na GG também podem ser utilizados elementos das artes circenses, das danças, dos esportes, além de outras manifestações culturais.

                  E aqui no Blog já apresentei a Ginástica Artística (GA) e a Ginástica Rítmica (GR Feminina e Masculina), e ainda comentei sobre como essas ginásticas podem ser inseridas em um trabalho de GG (confira o arquivo do Blog). Mas hoje é dia de falarmos sobre a Ginástica Acrobática (GACRO)!! E aposto que, mesmo sem conhecer muito bem essa modalidade, você já deve achar a GACRO incrível!! Isso porque a GACRO é aquela ginástica das "pirâmides humanas", bastante comuns em apresentações de circo. Mas vamos falar um pouco sobre o esporte em si. E lembrando que, como o foco do Blog é a GG, a ideia aqui é apresentar apenas uma introdução sobre as ginásticas competitivas e outras práticas que envolvem a modalidade, tanto para um maior reconhecimento das mesmas como para uma compreensão melhor da GG como um todo.

               Primeiramente, a GACRO é uma modalidade competitiva praticada tanto por homens quanto por mulheres, podendo ser praticada em 5 categorias, conforme as imagens abaixo:

Categorias da GACRO: dupla masculina; dupla feminina; dupla mista

Categorias da GACRO: trio feminino; quarteto masculino

               A GACRO, diferentemente da GA, da GR e da Ginástica de Trampolim, não é uma modalidade olímpica, mas possui competições importantes desde 1974, como os Campeonatos Mundiais. No entanto, a modalidade foi regulamentada pela Federação Internacional de Ginástica (FIG) apenas em 1999, o que pode justificar a sua pouca difusão no cenário esportivo mundial. Mas a cultura da GACRO tem ganhado bastante destaque nos últimos anos, inclusive no Brasil.

                 Como é possível perceber pelas imagens, a GACRO exige bastante força, resistência, equilíbrio e flexibilidade, bem como outras capacidades físicas como coordenação, agilidade e potência. Além disso, os ginastas precisam demonstrar bastante expressividade, pois seus elementos devem ser apresentados por meio de uma música (instrumental) utilizando-se também de movimentos de dança. 

               Durante uma competição de nível internacional, os ginastas devem realizar três tipos de séries: uma de equilíbrio estático (formação das pirâmides humanas), outra de exercícios dinâmicos (quando há elementos de vôo, com lançamentos dos ginastas, como na figura ao lado), e uma última série combinada (quando há elementos tanto de exercícios  estáticos quanto dinâmicos). Ao longo de 2 minutos e 30 segundos (tempo máximo para cada série), os ginastas também executam exercícios de solo, bastante comuns na GA, como saltos mortais, reversões, flic flac, entre outras acrobacias, tornando a coreografia ainda mais complexa e, por que não dizer, empolgante!!

                 Dentro de uma equipe, os ginastas desempenham as seguintes funções nas formações das figuras: 
                       - base: geralmente são ginastas mais fortes, mais altos e com maior potência muscular, pois são os que ficam embaixo na figura, sustentando outro ou outros ginastas em posições superiores (volantes e intermediários).
                       - volante: geralmente são mais baixos e magros, com maior flexibilidade para realizar posturas no alto da figura.
                      - intermediários: presentes apenas no trio feminino e quarteto masculino, possuem características comuns às funções de base e volante, pois acabam desempenhando um pouco das duas funções. São os que ficam, literalmente, no meio de uma figura, sendo sustentados pelo ginasta base e sustentando ainda outro intermediário ou diretamente o volante.

                        É importante destacar que deve existir um bom senso na formação das equipes tendo como base o biotipo dos ginastas. Sendo assim, por mais que bases e volantes tenham características físicas predominantemente diferentes, isso não pode ser tão discrepante. Ou seja, deve-se evitar uma dupla em que a base seja um atleta muuuuito grande e forte e o volante seja um atleta muuuuito menor e mais magro. Em uma competição oficial, essa discrepância é analisada pela arbitragem.

                    E falando em arbitragem, os grupos de GACRO são avaliados sob 3 fatores: nível de dificuldade (refere-se ao grau de dificuldade dos elementos apresentados durante a coreografia; quanto mais complexo um elemento, maior o seu valor no código de pontuação); execução (refere-se à parte mais técnica dos elementos, se são executados de forma correta); artístico (refere-se à expressividade transmitida durante a série, considerando a música e os movimentos utilizados na coreografia).

                       Dois princípios fundamentais da GACRO são a cooperação e a confiança. Como é uma modalidade que não pode ser praticada sozinho, a GACRO depende do bom entrosamento de uma equipe, no que se refere não só ao sincronismo de movimentos, mas também ao bom relacionamento entre os integrantes, podendo contribuir bastante para o ascpeto sócio-afetivo dos mesmos. Portanto, no ensino-aprendizagem da GACRO, é extremamente importante o desenvolvimento do trabalho em equipe.

             Em se tratando de aspectos mais técnicos, no ensino-aprendizagem da GACRO devem ser assimiladas as principais "pegadas" entre os ginastas, que são as formas de sustentação dos atletas para uma execução segura e eficiente das figuras estáticas e dos elementos dinâmicos. Você pode conferir algumas dessas pegadas na imagem ao lado.

            Além disso, posturas e elementos comuns a outras ginásticas também  devem ser assimilados. Dessa forma, na GACRO são ensinadas as posturas básicas (estendida, grupada, carpada unida e afastada), elementos de equilíbrio como a parada de mãos, elementos de força como esquadro, de flexibilidade como a ponte e o espacate, além de elementos de potência como as acrobacias que comentei anteriormente.

                       E como sempre digo por aqui, todos esses elementos devem ser ensinados do modo mais simples para o mais complexo. Mas, em se tratando da GACRO, em que tudo parece tããão complexo, como começar do mais simples??

                         Inicialmente, de acordo com as características de cada grupo de praticantes, pode-se começar por figuras estáticas simples, ou mesmo por meio de figuras com pequenos desequilíbrios e baixa complexidade, seja em duplas, trios ou mesmo quartetos. É importante que se detecte dentro de uma equipe, quais ginastas apresentam maior facilidade para serem bases, volantes ou intermediários. Posteriormente, lançamentos simples podem ser inseridos dentro do trabalho de GACRO, sempre valorizando a técnica correta e a segurança. Isso tudo em conjunto com a aprendizagem dos elementos gímnicos fundamentais (posturas, saltos, equilíbrios, etc) e a parte de expressão corporal. A figura abaixo pode ajudar a exemplificar essa iniciação à GACRO.


Iniciação à Ginástica Acrobática

                       A princípio é isso, pessoal. Espero que tenham gostado de conhecer a GACRO. Claro que o esporte em si envolve vários outros aspectos (aqui foi só uma introdução...). Mas vou deixá-los com um vídeo bem legal que mostra um pouco mais do que é a GACRO e o motivo dessa ser uma modalidade tão incrível!! Não deixem de ver!!

Montagem de Ginástica Acrobática


                      Gostaram??? Então aqui na sequência deixo vocês com uma montagem de pequenos vídeos que fiz após um curso de GACRO em que participei no V Fórum Internacional de Ginástica Geral, em 2010, nada mais nada menos que com o professor Julius Ricieri, um dos principais responsáveis pela difusão da GACRO aqui no Brasil (responsável pelo Grupo Acrobático Julius, uma das maiores referências de GACRO no nosso país)!! No vídeo ele ensina algumas formas iniciais de lançamentos, bem interessantes para começar essa parte em um trabalho de GACRO. Espero que seja útil e interessante para quem assistir ;)

Iniciação aos lançamentos da GACRO. Professor Julius Ricieri no V Fórum Internacional de Ginástica Geral, em 2010.


                  Mas afinal de contas, como a GACRO pode ser utilizada em um trabalho de GG?? Aguardem a próxima postagem que eu conto ;)
                              Até mais!!


Fonte: FIG; Livro: Fundamentos Básicos da Ginástica Acrobática Competitiva (Jorge S. P. Gallardo & Lucio H. R. Azevedo) - para conhecer um pouco mais sobre a GACRO.

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Essa postagem faz parte da série "Conhecendo as Ginásticas Competitivas". Confira:
E muito mais no Blog GG ;)

A Ginástica Rítmica na Ginástica Geral

                       Olá, amigos GG!!

            Nas postagens anteriores apresentei a vocês a Ginástica Rítmica (GR), uma das modalidades competitivas que fazem parte da Ginástica Geral (GG). Apresentei tanto a versão feminina quanto a masculina (siiiim, a GR Masculina existe!!). E a ideia de hoje é justamente mostrar como a GR pode ser utilizada em um trabalho específico de GG, ou seja, como GR e GG se relacionam. Mas antes, dêem uma olhada nas postagens "Conhecendo a Ginástica Rítmica" e "Conhecendo a Ginástica Rítmica Masculina" ;)



                  É bom lembrar que a GR é uma modalidade competitiva e que, portanto, apresenta um conjunto de elementos obrigatórios, no que se refere tanto aos elementos corporais (movimentos com o corpo) quanto aos elementos técnicos dos aparelhos oficiais da GR (as técnicas de manipulação dos aparelhos: corda, fita, maças, etc...). 

                  Dessa forma, é possível trabalhar em GG com os elementos corporais específicos da GR, como giros, pivôs, saltos, equilíbrios, entre outros, além das diversas manipulações com os aparelhos da GR, tanto feminina quanto masculina, contribuindo assim para um maior repertório motor dos praticantes, por meio das inúmeras possibilidades que a GR proporciona. Quanto mais experiências oferecidas a um grupo de GG, mais "ferramentas" esse grupo terá para se expressar, sem contar nos inúmeros benefícios associados à prática em si.

                   No entanto, vale sempre lembrar que o ensino de tais técnicas no processo de GG deve respeitar as características e possibilidades dos praticantes. Como a GG não é uma modalidade competitiva, o principal objetivo não é exatamente atingir um nível técnico de alta complexidade (ainda que um alto nível possa existir). Ou seja, você não precisa ter aqueeeeeela flexibilidade dos atletas da GR para fazer movimentos com uma fita, por exemplo. É bom reforçar que a GG é uma modalidade voltada para o lazer e que valoriza o lúdico, portanto a GR pode ser inserida na GG como um meio, não como um fim.

                     Já quando falamos do produto final da GG, ou seja, de uma criação coreográfica de GG, a GR também pode contribuir em muito para essa criação. A GR por si só já é uma modalidade muito bonita de ser vista! Assim, é muito comum a utilização dos elementos e, principalmente dos aparelhos da GR em coreografias de dança e de GG.

Precisa montar uma super apresentação de última hora com seus alunos?? Use a fita que é garantido! ;)

          Mas em um festival de Ginástica, por exemplo, como é possível diferenciar uma apresentação de GR de uma apresentação de GG que utiliza elementos de GR?

                  Em primeiro lugar, a GG é uma modalidade que valoriza a criatividade e a liberdade de expressão (corporal e cultural). Sendo assim, a partir de um "conjunto técnico" característico da GR ou de outra modalidade, ela permite uma exploração maior de movimentos, justamente por ser uma modalidade de regras flexíveis, em que TUDO é possível. A GG, portanto, permite a livre utilização de movimentos, aparelhos, música, entre outras características, fugindo daquele padrão comum das ginásticas competitivas.

                     Sendo assim, em uma apresentação de GG é possível a utilização dos aparelhos oficiais da GR, ou desses mesmos aparelhos, porém de uma forma adaptada. Ou ainda, pode-se utilizar de manipulações características da GR (lançamentos, movimentos em 8, manejos em geral), mas com aparelhos totalmente alternativos, ou seja, que não fazem parte do universo tradicional da Ginástica, como podemos ver nas imagens abaixo:

Utilização adaptada de uma bola de GR presa a um tecido (canto esquerdo acima); movimento em 8 (ondulação), bastante típico na GR, mas com o uso de uma sacola plástica (canto direito acima); outra forma de manipulação com a utilização de um véu (quadro inferior).

                     Na GG também não há distinção de gênero. Portanto, homens podem muito bem utilizar aparelhos que na GR seriam classificados como femininos (fita, maças, bola...), da mesma forma que as mulheres podem utilizar aparelhos classificados como masculinos (bastão, por exemplo). O que vale mesmo é a criatividade, não só na manipulação dos aparelhos, como na execução dos elementos corporais. E o melhor de tudo, não há aquela cobrança das competições! Ninguém perde pontos em GG por deixar cair uma bola, por exemplo...

                   Para encerrar, escolhi alguns vídeos para que vocês possam compreender melhor essas relações entre GR e GG que tentei explicar. O primeiro vídeo é de uma apresentação de GR Feminina, portanto competitiva, de alto rendimento, com aparelhos oficiais (no caso três fitas e dois arcos) e regras específicas da modalidade (elementos corporais e técnicos, tipo de música, roupa, quantidade restrita de atletas, etc).

Conjunto da Ucrânia nas classificatórias para as Olimpíadas de Londres 2012.


               O segundo vídeo é de uma apresentação de GG, mas que utiliza predominantemente características de GR (elementos corporais e aparelhos oficiais - maças, bola e arco). O próprio vídeo é descrito como sendo uma apresentação de GR, pois provavelmente as atletas do vídeo praticam/praticavam GR e montaram uma apresentação sem fins competitivos. No entanto, a coreografia é tão criativa e foge tanto do padrão típico da GR (exploração de movimentos, presença de figuras acrobáticas, percussão, etc) que é possível falar que este é sim um trabalho de GG. Assistam até o final e vejam se concordam comigo:

Apresentação do Colégio São Miguel Arcanjo (2003). GG com forte influência de GR. 


               O próximo vídeo é de uma apresentação de GG, que utiliza alguns elementos de GR, principalmente elementos corporais, mas com predominância menor desses elementos do que no vídeo anterior. O diferencial dessa coreografia, é que o grupo utiliza arcos da GR Feminina, junto com um material alternativo, um grande voal (tipo de tecido).

Apresentação de GG com elementos (corporais e técnicos) de GR com uso de arcos e um voal.


               E o último vídeo, de GG, é muuuuito interessante, pois além de apresentar diversos elementos corporais da GR, apresenta uma forte característica cultural! O vídeo é de um grupo da Tailândia, apresentado na Gymnaestrada de Lausanne (Suíça - 2011), que não utiliza materiais oficiais de GR, mas que utiliza manipulações comuns na modalidade, porém com aparelhos alternativos: guarda-chuvas tailandeses e leques grandes!

Tailândia na XIV Gymnaestrada Mundial (Lausanne - Suíça / 2011). Apresentação de GG com elementos corporais de GR (giros, pivôs, ondulações, saltos, etc) e manipulações com aparelhos alternativos.

                   E aí, gostaram?? Espero que sim!! É importante destacar que as equipes de GR também podem ser muito criativas em suas apresentações para competições, até mesmo porque na modalidade existe um julgamento de nível artístico. Mas na GG, o que chama a atenção é justamente a possibilidade de expressão corporal e cultural...livre de qualquer julgamento =)
                   Dúvidas?? Comentem aqui, por favor!! Aproveito para desejar a vocês, amigos GG, um ótimo 2013, cheio de coisas boas e muuuuita Ginástica!! \o/

                       Até 2013!! Com novidades... ;)

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Essa postagem faz parte da série "Conhecendo as Ginásticas Competitivas". Confira:
E muito mais no Blog GG ;)

Conhecendo a Ginástica Rítmica Masculina

             Siiiiiim, ELES também fazem Ginástica Rítmica!!! 

     Olá, pessoal. Na última postagem apresentei a Ginástica Rítmica (GR), como uma das ginásticas que compõem a Ginástica Geral (GG). E comentei que a modalidade é reconhecida pela Federação Internacional de Ginástica (FIG) como sendo uma modalidade estritamente feminina. No entanto, hoje estou aqui para apresentar a GR Masculina, uma variação da modalidade que surgiu no Japão e que tem sido difundida em alguns países, principalmente nos países orientais. Essa é mais uma postagem da série "Conhecendo as Ginásticas Competitivas" ;)

                    Mas antes, gostaria de dizer que fico feliz em estar escrevendo esta postagem, que é fruto do meu Trabalho de Conclusão de Curso do Bacharelado em Educação Física (2009), trabalho este que pude apresentar em 2010 no V Fórum Internacional de Ginástica Geral e, recentemente, no Congresso MOVE 2012. E aproveito o espaço para agradecer a alguns profissionais que na época foram muito importantes para a realização deste trabalho:

               - Profa. Ms. Maria Teresa Bragagnolo Martins → minha orientadora e mestra que, além de ter sido de grande influência para a minha formação profissional e atual paixão por Ginástica Geral, foi minha companheira na realização desta pesquisa.
               - Profa. Ms. Carmem Lúcia Leme de Lima → uma grande difusora da GR Masculina aqui no Brasil, que compartilhou grande parte do seu conhecimento sobre a modalidade comigo durante a pesquisa. Boa parte do que sei sobre a GR Masculina é graças a ela.
                - Profa. Dra. Roberta Gaio → uma das mais importantes profissionais na área da GR, com quem troquei várias informações e reflexões sobre a possibilidade de desenvolvimento da GR Masculina no Brasil.
                 - Prof. Mario Lam (Canadá) → um dos principais difusores da GR Masculina no Ocidente, que também compartilhou parte de seu conhecimento comigo através de e-mails. Responsável pelo site Men Rhythmic Gymnastics, uma das poucas referências acessíveis para nós ocidentais.


Agora sim, vamos ao que interessa!!


               A GR Masculina começou a ser praticada no Japão após a II Guerra Mundial, com o objetivo de ajudar na recuperação do país através da atividade física visando promover a saúde da população. Com base em movimentos vindos da Calistenia e das Artes Marciais, a atividade (praticada na época apenas pelos homens) foi se desenvolvendo, a ponto de tornar-se uma modalidade esportiva. Até que, em 1969, a GR Masculina foi regulamentada pela Confederação Japonesa de Ginástica.

GR Masculina na Gymnaestrada de Lisboa (2003)
                  A modalidade passou a ser praticada em diversos clubes e universidades do Japão, e, posteriormente, em outros países do Oriente como Malásia e Coreia do Sul. Depois, outros países tomaram conhecimento da modalidade, sendo realizado, em 2003, o primeiro campeonato internacional de GR Masculina, no qual também participaram países como Austrália, Estados Unidos e Canadá. No mesmo ano, o Japão levou apresentações de GR Masculina para a Gymnaestrada Mundial de Lisboa (Portugal), com o objetivo de difundir o esporte.

                      A FIG, mesmo tendo conhecimento da existência dessa adaptação da GR para o público masculino, ainda não reconhece a modalidade, alegando que não há um número suficiente de países praticantes, ainda que outros campeonatos internacionais já tenham sido realizados após 2003, com base nas regras propostas pela Confederação Japonesa.

              De fato, a GR Masculina é pouco conhecida, sendo que a maior parte dos materiais encontrados explicando sobre a modalidade (regulamentos, por exemplo) são encontrados apenas em sites orientais, o que dificulta mais ainda a sua divulgação por aqui. 

                        Mas afinal de contas, como é essa GR Masculina??

                       A GR Masculina, assim como a Feminina, é praticada com a utlização de uma música e a realização de séries, individuais ou em conjunto (conjunto com 6 ginastas na GR Masculina e não 5 como na Feminina), nas quais os atletas devem executar elementos corporais manipulando aparelhos de pequeno porte, para as competições individuais, ou sem aparelhos (mãos livres) para as séries de conjunto.

                       Na foto abaixo podemos ver os aparelhos utilizados nas séries individuais masculinas:

Corda (igual a feminina), Arcos (menores que o arco feminino e usados em pares), Maças (diferentes no peso e tamanho das maças femininas, mas também usadas em pares) e Bastão

                       Assim como na GR Feminina, cada aparelho possui um conjunto de exigências técnicas (lançamentos, balanceios, manejos, entre outros), que devem estar associadas a elementos corporais, como saltos, saltitos, ondulações, equilíbrios, elementos de flexibilidade, entre outros. Quanto mais elementos integrados, maior o nível de dificuldade da série.

                       Já nas séries em conjunto não são utilizados aparelhos, sendo chamadas séries de mãos livres, onde 6 ginastas também executam os elementos corporais, por meio de movimentos expressivos de dança, Artes Marciais e acrobacias de solo da Ginástica Artística. Aliás, uma diferença fundamental nas GRs é que a GR Masculina exige a realização de acrobacias com fase de vôo (saltos mortais, flic flac, saltos com mergulho) ao contrário da Feminina. De um modo simples, é como se a GR Masculina fosse uma mistura de solo de Ginástica Artística com dança.

Alguns elementos corporais da GR Masculina: Avião (canto esquerdo acima), Parada de Mãos (canto direito acima), movimentos expressivos de balanceios, circunduções e ondulações (canto esquerdo abaixo), Flic Flac (canto direito abaixo)

                       Nas séries em conjunto também são exigidas colaborações entre os ginastas, bem como momentos em que os ginastas devem realizar acrobacias complexas de forma simultânea, ou ainda passando por cima uns dos outros ao longo dessas acrobacias (coisa de ninja...rs).

                       Mas para que vocês possam entender melhor a GR Masculina, vou deixá-los com alguns vídeos. O primeiro é de uma apresentação de conjunto (mãos livres). E aproveito para falar que eu sou FÃ do sincronismo japonês...rs

Conjunto de Ginástica Rítmica Masculina - mãos livres


                    O segundo vídeo é do atleta Kazuya Dekita (Kokushikan University - Japão), com quem tive a oportunidade de aprender um pouco mais sobre a GR Masculina em um curso que ele deu sobre a modalidade, em julho desse ano, no VI Fórum Internacional de Ginástica Geral. Nesse vídeo ele apresenta uma série "mix" (não oficial, apenas para apresentação) para mostrar alguns dos aparelhos usados nas séries individuais, no caso a corda, os arcos e o bastão. E vou contar que eu me senti um PATO no curso dele, pois as manipulações "básicas" deles são muito difíceis para nós mortais!! rs..

Kazuya Dekita no VI Fórum Internacional de Ginástica Geral utilizando corda, arcos e bastão.


                         E o último vídeo é de uma série individual de maças. Essa sim é uma série oficial, de competição.

 
Ginástica Rítmica Masculina - série individual de maças


                Já existem alguns trabalhos com GR Masculina sendo desenvolvidos aqui no Brasil também. Claro que o desenvolvimento pleno desse esporte ainda precisará passar por muitas barreiras, culturais inclusive, para acontecer de fato. Mas o Blog GG fez a sua parte... e agora você conhece um pouco sobre a GR Masculina!! ;)

                         Espero que tenham gostado. Até a próxima!!

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Essa postagem faz parte da série "Conhecendo as Ginásticas Competitivas". Confira:
 
E muito mais no Blog GG ;)

Conhecendo a Ginástica Rítmica

                      Olá, amigos GG!!

                     Bem-vindos a mais uma postagem do Blog Ginástica Geral (GG) e bem-vindos a mais uma postagem da série "Conhecendo as Ginásticas Competitivas", textos que comecei a publicar no ano passado com o objetivo de apresentar um pouco sobre as ginásticas competitivas que fazem parte da GG. E nunca é demais lembrar que GG envolve muita coisa além dessas ginásticas, como a dança, o circo, o folclore, outros esportes, etc etc etc... ;)

Angélica Kvieczynski - atualmente uma das
maiores atletas de GR do nosso país!!
               Mas hoje, em especial, é dia de apresentar uma ginástica que, aqui no Brasil, já não é mais tããããão desconhecida assim. A própria modalidade tem ganhado cada vez mais destaque na mídia esportiva (principalmente em época de Jogos Olímpicos) e o Brasil tem aproveitado essa oportunidade e tem formado cada vez mais ginastas desse esporte, com direito a grandes conquistas a nível internacional, como nos Jogos Panamericanos. Estou falando da Ginástica Rítmica (GR)!!!

 
                     "Aaahh...é aquela das barras, da trave, que elas dão vários mortais, nééé?!"
                  NÃÃÃO, pessoal!! Essa é a Ginástica Artística (GA), que já falamos em outras postagens (confira em "Conhecendo a Ginástica Artística"). 

                   Mas é muito comum as pessoas confundirem essas duas ginásticas. Até mesmo porque, muita gente que assiste uma competição de GR tem a impressão de que a modalidade é mais "artística" do que a própria GA. E já explico o porquê disso...

               Mas a princípio, a GR é aquela ginástica que, ao contrário da GA, não utiliza aqueles grandes aparelhos, ou como chamamos, "aparelhos de grande porte" (barras paralelas, trave de equilíbrio, argolas, etc), mas sim "aparelhos de pequeno porte", ou seja, aparelhos de manipulação. Quais aparelhos?? Esses aí:

Fita, Bola e Maças (maças são usadas em pares e escritas com "ç" mesmo...)


Arco e Corda

                     "Ahh...mas então a GR é aquela ginástica do bambolê e da fitinha, nééé?!"
                     rss... SIIIM, é essa aí! Exceto que bambolê é o nome daquele brinquedo que criança usa pra "rodar" na cintura e depois de duas semanas já está todo marcado, amassado, quebrado. E fitinha, só a de Nossa Senhora do Bonfim! rss.. Na GR usa-se o Arco, que é bem mais resistente, maior, enfim, outra estrutura e finalidade; assim como a Fita e os demais aparelhos, que possuem medidas oficiais (peso, comprimento, tipo de material), exigidas pelas federações de ginástica.

                    E como dá pra notar pelas fotos, outro ponto fundamental que diferencia a GR da GA, é que a GR é praticada apenas por mulheres. Opa...mais ou menos... Na verdade, a Federação Internacional de Ginástica (FIG) criou e ainda hoje reconhece apenas a GR Feminina, defendendo que trata-se de uma ginástica que valoriza mais a expressividade, a beleza e a harmonia dos movimentos, sendo, portanto, uma ginástica para mulheres. No entanto, existem hoje vários países, principalmente no Oriente, em que há homens também praticando GR, com características específicas para eles, no que diz respeito a elementos técnicos exigidos e mesmo quanto aos aparelhos que são diferentes da GR Feminina.

               Mas então existe GR Masculina??? Sim, sim, sim, existe, e pretendo falar sobre ela na próxima postagem ;)

                     Voltando à GR Feminina, as séries apresentadas pelas ginastas podem ser individuais ou em equipe de 5 ginastas (conjunto), sendo avaliadas em três aspectos: nível de dificuldade, artístico e execução. As apresentações em conjunto podem ser com a utilização de um único tipo de aparelho por todas as ginastas, ou por dois aparelhos diferentes, determinados pela FIG a cada 2 anos.


Apresentações de conjuntos com um único aparelho: Corda (canto esquerdo), Bola (canto direito) e Arco (abaixo)

Apresentações de conjuntos com  dois aparelhos: Arco e Fita (acima) e Arco e Maças (abaixo)

             
                Comparando ainda com a GA, ainda que ambas as ginásticas utilizem, principalmente, elementos de flexibilidade e equilíbrio, a GR não se utiliza de acrobacias com fase de vôo (mortais, flic flac), mas em compensação, utiliza muito mais elementos expressivos, integrando a ginástica a movimentos de dança, principalmente vindos do ballet clássico. E é por isso que as pessoas às vezes assistem GR achando que é GA, pelo espetáculo "artístico" que é a modalidade.

             Mas a GR também se diferencia da GA pela própria forma de se utilizar o corpo na modalidade, através dos "elementos corporais". Na GR, os elementos corporais exigidos (saltos, equilíbrios, saltitos, ondulações, pivôs, elementos de flexibilidade, entre outros) devem estar associados aos elementos técnicos estipulados para cada aparelho (lançamentos e recuperações, manejos, entre outros - cada aparelho possui um conjunto de exigências técnicas específicas), devendo ser apresentados por meio de uma música, e, portanto, através de elementos expressivos de dança.

                 De certa forma, a GR pode ser lembrada como uma "dança com aparelhos". Claro que é muito mais que isso, mas essa comparação já ajuda a não confundirmos mais GA com GR.

Alguns elementos corporais da GR: Arabesque (canto esquerdo acima), Elemento de flexibilidade com os pés na cabeça (canto direito acima), Equilíbrio Cossaco (canto esquerdo abaixo) e Espacate (canto direito abaixo)
      
                    Como costumo falar por aqui, assim como na vida, as "coisas" na ginástica são aprendidas do simples para o complexo. Ou seja, antes de uma praticante aprender a fazer um molinete com as maças atrás da cabeça (oi?? rss .. "molinete" é um elemento técnico característico do aparelho maças), ela precisa aprender elementos corporais básicos. Dessa forma, é muito comum que as primeiras competições de GR sejam realizadas sem a utlização de aparelhos. É o que chamamos de "mãos livres". Dessa forma, as ginastas devem cumprir sequências utilizando os elementos corporais básicos da GR, integrando-os também à música e à dança.  

                   Alguns autores e técnicos até discutem essa fase que antecipa o uso dos aparelhos. Mas isso é uma  discussão para outro dia... Então vou deixá-los com um vídeo que realmente justifica a ADMIRAÇÃO que as pessoas em geral têm quando assistem uma competição de GR. Dêem uma olhada:

            
Montagem de Ginástica Rítmica

                 E aí, pessoal! Gostaram da GR?? Aposto que sim!! Em postagens futuras, vamos discutir sobre como a GR pode ser inserida num trabalho de GG. Mas por hoje é só! Até breve...

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Essa postagem faz parte da série "Conhecendo as Ginásticas Competitivas". Confira:
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A Ginástica Artística na Ginástica Geral

                  Olá, pessoal! Bem-vindos ao Blog Ginástica Geral (GG)!!

                 Na postagem de hoje vamos dar sequência a um assunto que iniciei no ano passado, com a postagem "Conhecendo as Ginásticas Competitivas", com o objetivo de difundir as ginásticas que fazem parte da GG (lembrando que existem inúmeras outras formas de manifestações corporais e culturais que compõem a GG, além das ginásticas em si). Ainda no ano passado, iniciei a série apresentando a Ginástica Artística (GA) e hoje a ideia é entender como essa modalidade pode estar relacionada e pode ser utilizada em um trabalho de GG. Mas antes, dêem uma lida na postagem "Conhecendo a Ginástica Artística" ;)

E aí, já leu??? Vamos lá então...

              A GA envolve diversas habilidades gímnicas a partir de movimentos básicos do ser humano, como o rolar, o saltar, o balançar, entre outros. Claro que, devido à exigência da modalidade, esses movimentos são executados de uma forma mais específica e, portanto, mais complexa. Dessa forma, quando pensamos no "saltar" da GA, logo lembramos do salto sobre a mesa e em geral, os saltos mortais de alta complexidade.

           Já ao falarmos de GG, também lidamos com esses movimentos básicos (saltar, rolar, manipular), que podem evoluir e tornar-se mais complexos com a prática, de acordo com vários aspectos, incluindo o interesse do praticante. O que é preciso reforçar, é que a GG possui um caráter lúdico, pois é uma ginástica voltada para o lazer e não para competição. Dessa forma, movimentos complexos não são uma exigência para se praticar GG, ao contrário da GA e das ginásticas competitivas como um todo, que quanto mais complexo, maior a pontuação e maior o peso da medalha.

                  No entanto, em um trabalho de GG, podemos muito bem utilizar os elementos básicos da GA para se aprimorar o repertório motor de seus praticantes, ou seja, para aumentar as possibilidades de movimentos de um grupo. Dependendo das características técnicas de um praticante e, repito, do interesse do mesmo, até mesmo movimentos mais complexos podem ser ensinados na GG.

                 Mas claro que os valores da modalidade sempre devem ser preservados. Assim, deve-se respeitar e valorizar as diferenças de níveis técnicos dentro de um grupo. Ou seja, se um indivíduo não tem interesse ou condições técnicas para aprender um flic flac, por exemplo, ele tem o direito de participar e mesmo se apresentar em uma coreografia de GG junto com outros praticantes que fazem sequências acrobáticas super complexas. Em GG cada um é especial por oferecer aquilo que tem de melhor.

Estrela - movimento básico da GA
               Posturas e movimentos básicos oriundos da GA podem ser trabalhados com um grupo de GG, como: canoinha, vela, saltos básicos (estendido, grupado, carpado), rolamentos ("cambalhotas"), elementos de equilíbrio como o avião e a parada de mãos, de flexibilidade como a ponte ou o espacate. Esses elementos não só contribuem para um repertório motor maior, como também para um melhor condicionamento físico dos praticantes (força, flexibilidade, resistência). A técnica desses movimentos deve ser valorizada, mas no que se refere mais à segurança do praticante (fazer corretamente para não se machucar) e mesmo estética (se determinada postura for usada para uma apresentação, por exemplo), mas não no sentido de rendimento ("se não aprender isso ou aquilo, não evoluirá e não poderá mais participar..." Isso não!).

                   Em se tratando do uso de aparelhos, já vimos aqui no Blog que a GA é aquela ginástica dos aparelhos de grande porte (argolas, barras paralelas, trave, etc), sendo que algumas provas são praticadas apenas por homens, outras apenas por mulheres, ou por ambos. Em relação à GG, o legal é que não há distinção de gênero para o aparelho. Se um homem quiser usar a trave de equilíbrio (aparelho feminino na GA) para treinar ou mesmo para uma apresentação de GG, é totalmente válido. O mesmo para uma mulher que quiser apresentar-se nas argolas (aparelho masculino na GA).

               Na GG não há qualquer regra que limite ou especifique a possibilidade de utilização de aparelhos por uma pessoa, independente de gênero ou outra singularidade. Pelo contrário, o que vale é a criatividade e a livre expressão corporal e artística dos praticantes sobre um determinado aparelho. O mesmo vale para as acrobacias de solo, em que não há a utilização desses aparelhos de grande porte ou ainda para aparelhos alternativos.

Apresentação com utilização do Cavalo com Alças. E olha o figurino... retrata alguma história, provavelmente, não?!

               Aliás, todos esses aspectos, relacionados justamente aos valores da GG (criatividade, ludicidade, valorização das diferenças, cooperação, apresentação de uma história ou cultura e ainda a utilização dos elementos gímnicos como meio e não como um fim) é o que diferenciam uma apresentação de GA de uma apresentação de GG composta por elementos de GA. (hum..confundiu né? Calma aê!).

                Uma apresentação de GA, tem como foco apresentar a evolução dos elementos aprendidos em um período de treinamento em GA. Já na GG, esse não é exatamente o foco. Os elementos técnicos não precisam aparecer na sua forma mais específica e complexa (posso misturar uma acrobacia de GA com uma de capoeira, por exemplo, e ser original com isso). Ou cada um poderá mostrar o que sabe fazer de mais difícil, mas também não é uma obrigatoriedade.

                 Mas se eu quiser ainda me apresentar sambando sobre o cavalo com alças, por exemplo, desde que exista um contexto na minha apresentação de GG,  tá valendo!

                   Na Europa é mais comum a utilização desses aparelhos de grande porte em apresentações de GG (principalmente em países como Suécia, Dinamarca, Finlândia e Suíça). Não só pela cultura gímnica mais tradicional na Europa, mas também pela própria facilidade em transportar essas estruturas grandes dentro do continente, já que os festivais de GG internacionais mais importantes acontecem na própria Europa.

Imagine o seu grupo tentando viajar para a Europa transportando toda a estrutura das barras assimétricas!!

                  Mas para encerrar e para tentar esclarecer tudo o que escrevi aqui, vou deixar uns vídeos para vocês assistirem. O primeiro é de uma apresentação de GA!! Ou seja, trata-se de uma apresentação em que o foco está na apreciação dos movimentos da GA, utilizando, inclusive, aparelhos de grande porte. Não existe uma obrigatoriedade para a interação entre os participantes, nem para uma apresentação lúdica ou que relate uma história ou aspecto cultural (ainda que isso possa acontecer). Mas não deixa de ser legal!

Apresentação de Ginástica Artística (GA) com aparelhos de grande porte. Grupo GCP (Portugal).


               Já o segundo vídeo, é de uma apresentação de GG utilizando aparelhos da GA (argolas e barras paralelas), mas de um forma GGística...rs...ou seja, de acordo com os princípios e singularidades da GG. Percebam que os ginastas não fazem elementos super complexos. E nem todos fazem acrobacias. E a própria abordagem nos aparelhos é diferente. Há momentos em que dois ginastas utilizam simultaneamente o mesmo aparelho (em GA não tem isso não).

Apresentação de GG utilizando aparelhos de grande porte da GA (argolas e barras paralelas simétricas). Grupo da Suíça na Gymnaestrada de Lausanne (Suíça) - 2011.


                 E o último vídeo é de um grupo também de GG, mas que utiliza muitos elementos de GA (saltos, reversões, rolamentos, estrela, parada de cabeça e de mãos, entre outros) sem a utilização dos aparelhos de grande porte, e mantendo as características de um trabalho de GG. Há momentos até em que os ginastas se auxiliam na execução de certas acrobacias. Em GA isso não é permitido, pois perde-se pontos. Mas em GG, nao há problema algum.

 Apresentação de GG do Grupo Ginástico Unlam (Universidad Nacional de La Matanza - Argentina) no VI Fórum Internacional de Ginástica Geral em Campinas - 2012.


                Vale ressaltar que muitos desses elementos técnicos que citei não pertencem apenas à GA, mas também à Ginástica Rítmica, Acrobática, entre outras, mas isso é assunto para uma próxima postagem... Mas por hoje, espero que vocês tenham entendido, não só a diferença de GA e GG, mas, principalmente, como a GA é inserida na GG. Até a próxima ;)

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Essa postagem faz parte da série "Conhecendo as Ginásticas Competitivas". Confira:
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